Guia de Uso das Baselines Organizacionais

Versão do documento: 1.3, 03/08/2026

Objetivo

Orientar a utilização das baselines organizacionais durante a execução e o acompanhamento dos contratos, apoiando a tomada de decisão gerencial por meio de previsões estatísticas produzidas pelos modelos aprovados pela organização.

Público-alvo

Gerentes de Contrato, Diretoria de Operações, Equipe de Medição e Análise, Líder do EPG e demais colaboradores envolvidos na utilização das baselines organizacionais.

Tempo estimado de leitura

10 minutos.

Pré-requisitos

Processo Estatístico de Baselines Organizacionais

Objetivo

Este guia descreve como as baselines organizacionais são utilizadas na execução e no acompanhamento dos contratos da BASIS.

A metodologia de geração, treinamento, seleção e aprovação das baselines está descrita no Processo Estatístico de Baselines Organizacionais.

Visão Geral

As baselines são utilizadas para apoiar decisões operacionais dos gerentes de contrato, antecipando situações que podem comprometer prazos, SLAs ou continuidade da equipe alocada.

O uso das baselines não substitui a análise do gerente. A previsão estatística fornece uma referência quantitativa para apoiar o acompanhamento, mas a decisão sobre ação preventiva, contingência, comunicação ao cliente ou registro de justificativa deve considerar o contexto do contrato.

As duas baselines são utilizadas de formas diferentes e essa diferença é o que orienta a leitura deste guia:

  • A baseline de contratação responde sobre um caso individual ainda não ocorrido, o tempo de seleção de uma vaga específica, e é acionada sob demanda.

  • A baseline de ausência descreve o comportamento do processo de cada contrato e é acompanhada periodicamente, comparando o resultado do contrato com os seus próprios limites e com a meta que o governa.

Baseline de contratação

Finalidade

A baseline de contratação é utilizada para prever o tempo necessário para selecionar profissionais em solicitações de contratação ou substituição.

Essa baseline apoia o tratamento do Risco 1.4 - Não atendimento de SLA, especialmente em ordens de serviço de alocação em que o prazo de disponibilização do profissional pode afetar o cumprimento dos indicadores contratuais.

Análise de viabilidade no início do contrato

Durante o Estabelecimento dos requisitos de serviços, a baseline de contratação deve ser utilizada para avaliar se os prazos previstos para mobilização da equipe são compatíveis com os SLAs e demais condições do contrato.

No início do contrato, o Diretor de Operações cria no SGO as Tarefas de Preparação de Contrato. Entre essas tarefas, deve existir uma destinada ao departamento Gerência de Contratos, com o campo Objeto da Tarefa preenchido com Análise de Viabilidade.

Na transição Realizar análise de viabilidade, o gerente preenche a ocorrência com as características da contratação: quantidade de vagas, perfil profissional, tecnologia requerida e faixa salarial. Esses campos servem à condução da contratação; a previsão utiliza apenas parte deles, conforme descrito na seção seguinte.

Ao executar a transição, o SGO aciona o webhook do Kaizenstat. O modelo da baseline ativa processa os dados informados e o resultado da previsão é registrado automaticamente como comentário na Tarefa de Preparação de Contrato.

O gerente deve comparar o prazo previsto e sua margem de erro com os SLAs e as condições estabelecidas para o contrato. Quando o resultado indicar que a mobilização da equipe pode ocorrer fora dos limites aceitáveis, o gerente deve avaliar e registrar as ações cabíveis em conjunto com o Diretor de Operações, como a revisão da estratégia de contratação, dos perfis, da faixa salarial, do cronograma de mobilização ou de outras condições operacionais.

Execução da previsão

A previsão é executada por webhook integrado ao SGO. Nas ordens de serviço de alocação, quando o gerente solicita uma nova contratação, o SGO aciona o Kaizenstat para aplicar o modelo da baseline ativa.

O modelo utiliza quatro variáveis, e apenas essas quatro:

  • A alocação, ou seja, o cliente da vaga;

  • A função normalizada;

  • A mediana móvel de seis meses do tempo de seleção daquela função;

  • A mediana móvel de três meses do tempo de seleção da organização.

Modalidade de trabalho, faixa salarial e quantidade de vagas simultâneas não entram na previsão. Foram avaliadas por acréscimo sucessivo e nenhuma delas reduziu o erro; várias o aumentaram. Elas continuam sendo informação necessária à condução da contratação, mas não à estimativa de prazo.

Após a execução, o Kaizenstat registra a predição e insere comentário na ocorrência do SGO com:

  • Baseline utilizada;

  • Algoritmo aprovado;

  • Identificador da predição;

  • Tempo previsto para seleção;

  • Margem esperada, com a cobertura declarada.

Margem da predição

A margem é a faixa entre o décimo e o nonagésimo percentis dos resíduos do modelo, apresentada com a cobertura correspondente: "12,00 dias (80%: 7,50 a 24,00 dias)". A leitura é direta e verificável: em oito de cada dez contratações comparáveis, o tempo real caiu dentro daquela faixa.

Os percentis são preferencialmente calculados sobre os resíduos observados em produção, quando houver volume suficiente de contratações já concluídas e conciliadas. Enquanto não houver, são utilizados os resíduos da partição de teste, sem corte de cauda.

A margem é assimétrica de propósito. O tempo de seleção tem cauda longa à direita e piso próximo de zero, de modo que a distância até o cenário ruim é maior que a distância até o cenário bom. Uma margem simétrica em torno da previsão descreveria mal justamente o caso que importa ao SLA.

Até esta versão, o comentário trazia a margem como ±MAE, sem cobertura declarada. Um intervalo de um erro absoluto médio cobre em torno de 58% dos casos quando os resíduos são aproximadamente normais, e era lido como se cobrisse quase todos. A troca corrige a leitura, não o modelo.

Quando uma ordem de serviço possui mais de um perfil ou mais de uma linha de alocação, a previsão é consolidada em um comentário único, apresentando a estimativa para cada item avaliado. Cada linha recebe um identificador próprio de predição, no formato OCORRÊNCIA#LINHA, de modo que a comparação posterior entre previsto e real seja feita linha a linha e nenhuma estimativa seja sobreposta pelas demais.

Acompanhamento do resultado real

Quando a contratação é concluída, o resultado real deve ser comparado com a previsão registrada. A comparação permite avaliar se a predição permaneceu dentro dos limites esperados da baseline.

O desvio é calculado pela diferença entre o valor real e o valor previsto. Quando o desvio fica fora dos limites de controle da baseline, definidos pela faixa de três desvios padrão, deve ser registrada uma ocorrência de análise das causas no SGO para que o gerente avalie o motivo do desvio.

Essa análise deve considerar fatores como:

  • Dificuldade específica do perfil;

  • Exigências adicionais do cliente;

  • Indisponibilidade de profissionais no mercado;

  • Alteração de prioridade;

  • Falhas ou atrasos no fluxo de recrutamento;

  • Dados incorretos ou incompletos na ocorrência.

O objetivo da análise é identificar se o desvio representa causa especial, problema de dados, mudança no comportamento do processo ou necessidade de ação gerencial.

Baseline de ausência

Finalidade

A baseline de ausência estabelece a taxa esperada de ausências não planejadas de cada contrato e da organização, com os limites naturais de variação correspondentes.

Essa baseline apoia o acompanhamento dos riscos 1.2 - Absenteísmo e 1.3 - Rotatividade, e é utilizada também na precificação comercial, uma vez que a indisponibilidade esperada da equipe compõe o custo do contrato.

A métrica é a taxa de ausências não planejadas, ou seja, atestados e faltas injustificadas, sobre os dias em que havia jornada a cumprir. Férias, licenças previdenciárias, licenças parentais e demais afastamentos legais não compõem a medição: não são evitáveis por ação preventiva e a resposta a eles é a substituição do profissional, que é outra decisão.

Até junho de 2026 a baseline de ausência era expressa como quantidade de ausências por colaborador no mês. A métrica foi substituída porque uma contagem absoluta não permite comparar contratos de tamanhos diferentes nem definir meta por contrato. As razões estão registradas no processo estatístico e na análise que fundamentou a mudança.

O que a baseline informa

Para cada contrato, e para a organização como um todo:

  • Taxa de referência: o nível que o processo daquele contrato apresenta hoje;

  • Limites naturais: a faixa dentro da qual o resultado mensal varia sem que nada tenha mudado no contrato;

  • Limite de precificação: o valor esperado no percentil 95 do mês seguinte, utilizado pela área comercial, uma vez que a margem é comprometida no mês ruim e não no mês médio;

  • Confiabilidade: se o histórico do contrato é suficiente para sustentar taxa própria.

Contratos com menos de cinco pessoas em média ou com menos de seis meses fechados de histórico não sustentam taxa própria. Nesses casos, uma única ausência desloca a taxa mensal em dezenas de pontos. Esses contratos são avaliados contra a meta organizacional, e a precificação deve utilizar a taxa da organização em vez da taxa individual.

Acompanhamento mensal

Uma job agendada no Dagster executa no dia 3 de cada mês, após o fechamento do mês anterior e a atualização dos dados no Colaboradados.

A job compara o resultado do último mês fechado de cada contrato com os limites congelados do próprio contrato e registra o acompanhamento no Kaizenstat, com o mês de referência a que ele se refere.

Os limites são os que estavam em vigor, e não os recalculados no mês da execução. O recálculo continua sendo feito e é apresentado como proposta, mas só substitui os limites vigentes por decisão registrada. Uma carta cujos limites acompanham a série absorve a deterioração no próprio centro e nunca sinaliza.

Duas condições caracterizam causa especial, ou seja, algo mudou naquele contrato:

  • Ponto fora dos limites naturais do contrato;

  • Oito meses consecutivos do mesmo lado da taxa de referência, ainda que todos dentro dos limites. É o padrão de deslocamento sustentado de nível, que o ponto isolado não detecta.

Em qualquer das duas, é aberta ocorrência de análise das causas e inserido comentário na ocorrência de contrato no SGO, informando:

  • Contrato avaliado e mês de referência;

  • Regra que produziu o sinal;

  • Taxa observada no mês, ou a sequência de meses no caso da corrida;

  • Taxa de referência e limites em vigor;

  • Tamanho da equipe e exposição do mês.

A comparação é sempre com os limites do próprio contrato, e não com a média da empresa nem com a meta. Contratos diferentes têm processos diferentes, e a carta de controle responde a uma única pergunta: este contrato se comportou como ele mesmo se comporta.

Reexecutar a job no mesmo mês não duplica acompanhamentos nem reabre ocorrências já criadas. O registro é feito uma vez por contrato e mês de referência.

Revisão trimestral contra a meta

Uma segunda job, trimestral, compara o nível estável de cada contrato com a meta que o governa, que é a meta própria do contrato quando existir e a meta organizacional nos demais casos.

Essa revisão não abre ocorrência de análise das causas. Estar acima da meta significa que o processo se comporta como sempre se comportou e que a organização deseja um resultado diferente, o que é tratado por melhoria de processo e não por análise de causa especial.

Contratos sem confiabilidade suficiente para sustentar taxa própria também são avaliados, sempre contra a meta organizacional, e aparecem sinalizados como tal no relatório. Ficar de fora da revisão os deixaria sem critério aplicável.

O resultado da revisão é registrado no Kaizenstat como um documento próprio, com o relatório, o veredito de cada contrato, os contadores do período, o responsável, o encaminhamento e a situação de aberta ou encerrada. A mesma revisão é comunicada por comentário na ocorrência do SGO, que serve como notificação e não como registro.

Encerrar uma revisão é assumi-la: o responsável fica registrado junto com o encaminhamento. Uma revisão que apenas foi lida não é uma revisão realizada, e a distinção entre as duas é exatamente o que a tela do Kaizenstat mantém.

Quando a meta do contrato tiver sido fixada sob versão anterior da definição de medição, o relatório a exibe assinalada e não trata a diferença de nível como desempenho, até que a meta seja repromovida.

Definição das metas

Existe uma meta organizacional e, quando decidido, uma meta por contrato. A meta é decisão de gestão e não se confunde com a baseline, que é derivada dos dados.

Quando um contrato passa a ter baseline e ainda não há meta em vigor para aquele escopo, o Kaizenstat recebe automaticamente um rascunho de objetivo já preenchido com o escopo, a vigência e a capacidade medida do contrato, restando o preenchimento manual da meta e da justificativa. Os responsáveis são notificados por e-mail enquanto houver metas pendentes de definição.

Ao definir a meta, o responsável deve observar a capacidade medida apresentada ao lado do campo, uma vez que a justificativa precisa demonstrar como o número foi derivado do que o processo é capaz de entregar. Meta abaixo do limite inferior natural do processo não é ambiciosa: é inalcançável sem que o processo seja alterado.

Ação do gerente

Ao receber o comentário na ocorrência de contrato, o gerente deve avaliar o resultado conforme os SLAs, a criticidade do contrato, a composição da equipe e o histórico recente de ausências.

Quando o resultado configurar causa especial, ou seja, ponto fora dos limites naturais do contrato, o gerente deve conduzir a análise das causas considerando fatores como:

  • Concentração de ausências em um período específico, como surto sazonal;

  • Alteração na composição ou no tamanho da equipe;

  • Situação individual que ainda não caracterize afastamento legal;

  • Falha ou atraso no registro de ponto e de justificativas.

Independentemente da existência de causa especial, o gerente deve registrar a ação cabível no SGO, como:

  • Acompanhar o contrato sem ação adicional, quando o resultado estiver dentro do comportamento esperado;

  • Acionar plano de horas extras controladas, quando aplicável;

  • Avaliar necessidade de profissional ferista ou apoio temporário;

  • Negociar ajuste operacional com o cliente, quando necessário;

  • Registrar justificativa quando o resultado não exigir ação;

  • Atualizar o acompanhamento dos riscos do contrato.

A ação registrada deve manter vínculo com a ocorrência de contrato e com os riscos acompanhados no SGO.

Consulta no Kaizenstat

O Kaizenstat permite consultar:

  • Baselines ativas e arquivadas, incluindo a baseline de cada contrato e a da organização;

  • Histórico de versões de uma baseline, com a janela de validade de cada uma e a decisão que autorizou cada recongelamento;

  • Metas organizacionais e por contrato, com a justificativa, a vigência e a versão da definição de medição de cada uma;

  • Revisões trimestrais registradas, com relatório, responsável, encaminhamento e situação;

  • Treinamentos associados a cada baseline, quando obtida por modelo;

  • Métricas e parâmetros dos modelos;

  • Registros de predição;

  • Dados removidos do treinamento;

  • Ocorrências de análise e decisão vinculadas;

  • Ocorrências de análise das causas criadas a partir de inconsistências ou desvios.

O histórico de versões existe para que um acompanhamento registrado no passado continue apontando para os limites que estavam efetivamente em vigor quando aquele julgamento foi feito.

Essas consultas apoiam auditoria, revisão de decisão, investigação de desvios e avaliação da efetividade das baselines.

Tratamento de registros removidos

Esta seção aplica-se às baselines obtidas por modelo treinado. Na baseline de ausência não há remoção de registros: a qualidade é assegurada pela definição da própria medição, descrita no processo estatístico.

Durante o treinamento, registros com dados incorretos, inconsistentes ou estatisticamente incompatíveis podem ser removidos do conjunto de treinamento.

Esses registros são apresentados no Kaizenstat para que o responsável avalie se a remoção indica apenas uma característica estatística do conjunto de dados ou se existe problema de cadastro, fluxo ou integração que precise ser corrigido.

Quando necessário, deve ser registrada ocorrência de análise das causas no SGO, com a causa identificada e a ação adotada para reduzir a recorrência.

Responsabilidades

Papel Responsabilidade

Gerente de contrato

Avaliar as previsões e os acompanhamentos recebidos no SGO, registrar ações cabíveis, acompanhar riscos, analisar desvios quando houver resultado fora dos limites esperados e subsidiar a definição da meta de absenteísmo do seu contrato.

Diretor de Operações

Criar as Tarefas de Preparação de Contrato e, quando a análise de viabilidade indicar prazo incompatível com as condições contratuais, definir as ações cabíveis em conjunto com o gerente de contrato. Decidir as metas de absenteísmo por contrato e a meta organizacional.

Líder do EPG

Revisar a ocorrência de análise e decisão antes da promoção da baseline, e revisar a definição das metas, verificando se a meta foi derivada da capacidade medida do processo. Enquanto a ocorrência não estiver revisada, o Kaizenstat mantém a promoção bloqueada.

Equipe de Medição e Análise

Executar ou acompanhar treinamentos, verificar registros de experimentos, solicitar a ocorrência de análise e decisão, promover as baselines depois de revisadas, acompanhar as baselines geradas automaticamente, tratar as metas pendentes de definição, encerrar as revisões trimestrais registradas e manter a rastreabilidade entre Kaizenstat, MLflow e SGO.

Equipe de dados

Manter os dados do Colaboradados atualizados, consistentes e rastreáveis para consumo pelos treinamentos e predições.

Histórico de Revisão

Tabela 1. Histórico de Revisões
Data Versão Autor Revisor Observação

05/06/2026

1.0

Cédric Lamalle

Leonardo Lopes

Versão inicial do documento

26/06/2026

1.1

Leonardo Lopes

Cedric Lamalle

Revisão da estrutura e padronização dos documentos.

02/08/2026

1.2

Cédric Lamalle

Leonardo Lopes

Nova métrica e novo uso da baseline de ausência: taxa por contrato, acompanhamento mensal por carta de controle, revisão trimestral contra a meta e definição de metas por contrato.

03/08/2026

1.3

Cédric Lamalle

Leonardo Lopes

Margem da predição por quantis empíricos com cobertura declarada e identificador por linha do grid; conjunto de quatro variáveis do modelo explicitado; limites congelados e regra de corrida de oito pontos no acompanhamento mensal; registro durável da revisão trimestral; revisão da análise de decisão antes da promoção.